Mulheres negras nos espaços de liderança

Mais um dia 25 de julho se aproxima e nos traz a reflexão sobre representatividade e espaços de liderança ocupados por mulheres negras atualmente. A data é conhecida como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha e surgiu do reconhecimento da luta e união das mulheres afrodescendentes de mais de 70 países que se reuniram – em 1992 na República Dominicana – pela primeira vez, em debate e resistência à opressão de gênero e racial.

No Brasil, a data também homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola, que os defendeu e resistiu bravamente por mais de 20 anos à escravidão, no século XVIII, conhecida por sua visão estratégica e à frente do seu tempo.

Ainda hoje se verifica a mulher negra, em sua maioria, à margem das posições de liderança e de relevo, seja nas empresas privadas ou nas organizações públicas, nos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Mas, assim como Tereza de Benguela, outros exemplos de força e garra na liderança feminina negra se destacam, como é o caso de Shirley Chisholm, primeira mulher negra eleita no Congresso dos Estados Unidos em 1968; aqui mais perto, no Rio de Janeiro, Benedita da Silva, a primeira mulher negra eleita senadora em 1994; ou, ainda, Mary de Aguiar Silva, reconhecida como primeira juíza negra do Brasil, que atuou na corte baiana por mais de 30 anos.

Atualmente, se fazem presentes as políticas públicas afirmativas que viabilizam um maior acesso à educação superior, como é o caso lei de cotas n.° 12.711/2012, e maior acesso às vagas em concursos públicos por meio da lei n.º 12.990/2014, sendo certo que tais dispositivos legais buscam amenizar as gritantes desigualdades sociais e econômicas, herança dos longos tempos escravagistas.

Tais informações são de extrema relevância social, considerando que 54% da população brasileira se autodeclara negra, sendo, destas, 27,8% mulheres, segundo dados do IBGE, e que, por sua vez, não se veem representadas nos lugares de destaque social, que são desafiadas a galgar melhores colocações no mercado de trabalho, enfrentando preconceitos estruturais na sociedade, em que a inserção nestes meios ainda é precária, com remuneração historicamente inferior à de outros grupos sociais.

Em uma análise mais profunda, percebe-se a importância de dar visibilidade às “minorias” e o impacto que determinadas medidas de reparação causam na construção da autoestima e autovalorização desta parcela da população, perceptível, inclusive, no aumento de pessoas que se autodeclaram como negras, da busca por melhores condições e da concretização de longínquos sonhos dos ancestrais, por tanto tempo abafados.

Após tanta luta para vencer o preconceito e as desigualdades, as mulheres negras que também enfrentam problemas de gênero, de hipersexualização de seu corpo, de desvalorização de sua fala, de negação de suas características físicas, poderem ver exemplos reais de mulheres que alcançaram lugares de destaque, pioneiras em sua posição e a normalização desta condição, só reforça e amplifica as possibilidades de êxito profissional e pessoal, de maior inclusão e ascensão social.

É assim, que a representatividade da mulher negra em posições de liderança deve ser compreendida, como uma realidade atingível, uma verdade, um futuro próximo para tantas jovens e crianças, antes marginalizadas, que por meio da educação e acesso a ambientes positivos e novas oportunidades possam se desenvolver e alcançar seu espaço.

2 comentários em “Mulheres negras nos espaços de liderança”

  1. Que o progresso da mulher negra em posição de liderança seja cada vez mais visto e se torne algo comum, como deve ser.

  2. Danielle Ferreira

    Texto maravilhoso. A sociedade ainda não consegue ver a mulher negra ocupando locais de destaque. Mas iremos mudar isso. Nosso valor, conhecimento e competências falam mais alto.
    Parabéns Gabriela

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