Dia da Consciência Negra: uma data mais do que necessária

No que tange ao dia da consciência negra, antes de analisar os desdobramentos vinculados a referida data é preciso entender como e quando a dia da Consciência negra surgiu.  A Lei nº 10.639/03, na qual determina que nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira, ressaltando ainda que  incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil, bem como a referida lei incluiu o dia 20 de Novembro como o dia da consciência negra.

Apesar da legislação reconhecer a data em 2003, a sua existência é bem anterior. Em um texto sobre a consciência negra, é importante saber que em 1978 ativistas do Movimento Negro Unificado (MNU) se reuniram em Salvador e acordaram que o dia da morte de Zumbi dos Palmares, 20 de novembro, seria celebrado como o Dia da Consciência Negra, a ideia era usar a data para relembrar a luta dos negros escravizados que se rebelaram contra o sistema escravista da época.

Em termos práticos a importância do movimento negro e da luta antirracista mostra sua relevância quando vemos os dados da desigualdade racial que ainda existe no Brasil.  Tendo por base estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que desenvolveu uma pesquisa chamada “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça” onde  mostra que pretos e pardos que representam 56% da população brasileira, têm os piores indicadores de renda, moradia, escolaridade, serviços, etc.

Na mesma linha de raciocínio o Atlas da Violência 2020 mostra que a taxa de homicídios entre negros cresceu 11,5% de 2008 a 2018, enquanto a de não negros caiu 12%. Ao todo, os negros somam 75,9% dos assassinados entre este período. Ou seja, para cada indivíduo não negro morto, 2,7 negros são assassinados. Esses números ficam ainda mais alarmantes quando olhamos pela faixa etária e gênero: em 2019, 68% das mulheres mortas eram negras. Os homens negros jovens representam mais da metade do número de jovens mortos. Ainda nesse mesmo cenário em 2019, o estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil” mostrou que a taxa de analfabetismo entre negros era de 9,1%, cinco pontos percentuais superior à da população branca. A taxa de negros fora das escolas chega a atingir 19% comparada a da população branca, diante dos números apresentados é que passamos a entender de forma mais clara a importância do movimento negro.

Passando a analisar a situação dos negros em ambientes corporativos, inicialmente é necessário afirmar que a política de cotas implementada no Brasil vem colaborando de certa forma para o ingresso cada vez maior da população negra nos cursos universitários. Contudo, os obstáculos e desafios profissionais para as pessoas negras permanecem. Trazendo a aplicação para o ramo do direito, na atualidade, os grandes escritórios do Brasil contam com menos de 1% de advogados negros, o que demonstra que embora estejam tendo acesso à universidade, negros, que são maioria racial brasileira, não ocupam espaços expressivos nesse campo profissional.

A inclusão do negro em ambientes corporativos, portanto, trata-se de um grande desafio, partindo do pressuposto de que vivemos em um país racista, que nega tal condição e não integra mulheres e homens negros às profissões qualificadas, tornando a maior parcela da população ausente de representatividade, fazendo com que esses ambientes não sejam múltiplos e diversos, o que, consequentemente, acaba reduzindo qualidades e potencialidades dos negros frente a um mercado cada vez mais exigente.

 “Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam. ” (Martin Luther King)

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