Seguradoras estão utilizando os critérios ESG na avaliação de riscos

As práticas ESG (Ambiental, Social e Governança Corporativa) estão começando a desempenhar um papel fundamental nas operações das seguradoras brasileiras, que estão passando a considerar esses critérios para expedição e renovação de apólices de seguro.

Isso está acontecendo porque empresas que não atendem aos requisitos ESG podem ser vistas como menos seguras e confiáveis por toda a sociedade. Sendo assim, a possibilidade de situações negativas no futuro que elas apresentam é alta, o que prejudica sua análise de riscos e dificulta – às vezes, impossibilita – a emissão da apólice.

Esse é o caso de companhias que estiveram envolvidas em práticas trabalhistas inadequadas, atuam na fabricação de produtos extremamente danosos ao meio ambiente ou não possuem um programa de Compliance robusto que evite processos internos discriminatórios, por exemplo.

Nessas situações, as seguradoras passaram a demandar que as empresas desenvolvam planos de contingência e dispositivos de mitigação de danos ambientais, construam programas de Compliance preventivo para lidar com condutas perigosas, e considerem os aspectos de sustentabilidade em tomadas de decisões de negócios.

Ana Paula de Almeida, Diretora de Sustentabilidade e Relações de Consumo da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), enfatiza que o setor de seguros está desempenhando um papel importante para a sustentabilidade do mercado brasileiro. Em sua opinião, as seguradoras desempenham um duplo papel no contexto ESG ao:

  1. amparar organizações, indivíduos e governos que enfrentam riscos relacionados à sustentabilidade, como questões ambientais, climáticas, sociais e de governança; e
  2. influenciar os stakeholders da cadeia de valor a adotar condutas socioambientais responsáveis.

Além das orientações aos clientes, muitas seguradoras têm adotado uma abordagem voltada para o ESG em seus próprios negócios, incluindo a implementação de práticas sustentáveis e programas de ação, como a descarbonização de seus portfolios de investimento. Todas essas iniciativas passam um recado claro ao mercado.

No entanto, a observância dos critérios ESG também apresenta desafios para empresas menores, que podem ter dificuldade em cumprir as rigorosas exigências. Por isso, Ana Paula reafirma que “impor limites e restrições para a realização de negócios que considerem aspectos de sustentabilidade é uma prerrogativa individual de cada empresa de seguro e amparada pelo regulador por meio da Circular Susep nº 666“.

Desta forma, observando que a sustentabilidade passou a ser um requisito para as empresas que desejam permanecer competitivas e confiáveis a longo prazo, as seguradoras estão liderando a promoção das práticas socioambientais responsáveis na sociedade e na adoção de critérios ESG em suas decisões e operações.

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