O protagonismo feminino

Por Cléa Cortez

Por Cléa Cortez

Quando comecei a escrever esse texto, com enfoque em protagonismo feminino, logo pensei em grandes personagens literárias como Aurélia, de José de Alencar ou Elizabeth Bennet, de Austen. Seria fácil discorrer sobre a personalidade dessas mulheres brilhantes e apontar vários e vários elementos desses enredos que contribuíram para a imortalização dessas personagens.

Mas por que buscar apenas no intangível se, ao olhar para o lado, também vejo mulheres brilhantes e reais? Mães, avós, tias, irmãs, namoradas, amigas nossas, todas nós nessa dança de tornar-se mulher — pois não nascemos finalizadas — construindo nós mesmas e o mundo, fazendo a humanidade caminhar e seguir viva seja pelo trabalho de nossas mãos ou de nossos úteros.

Ao passo em que, dia a dia tornamo-nos mulheres, passamos a ser também mães, esposas, profissionais. Papéis diferentes, nem sempre comuns a todas, mas impossíveis dissociá-los de nosso gênero. E é nessa múltipla jornada que conhecemos mais de nós e do nosso potencial. Não romantizo aqui a sobrecarga que quase sempre nos acomete ao cumprimos esses papéis, mas exalto nossa capacidade em nos reinventarmos e não nos limitarmos aos lugares que insistem em nos encaixotar. Houve uma época em que nos diziam o que poderíamos ser. Hoje vamos lá e mostramos quem somos e o crédito por essa conquista é todo nosso. Somos mulheres. Por isso e não apesar disso (nunca mais!) podemos ser e conquistar e ocupar e pertencer ao lugar que quisermos.

Historicamente, o papel feminino na sociedade passou por várias transformações. Primeiro éramos responsáveis pela organização e gerenciamento do núcleo familiar na pré-história, passamos por maus bocados na idade média, pudemos nos profissionalizar, mas também tivemos nossa mão de obra explorada na idade moderna, mostramos nosso potencial e coragem nos anos sombrios do início do século XX, mas no pós-guerra e “anos dourados” tentaram nos devolver e nos atar ao serviço doméstico, resistimos e hoje colhemos alguns bons frutos de nossa luta. Ocupamos cargos de liderança, temos nossos próprios empreendimentos, estudamos quantas graduações quisermos, temos métodos contraceptivos de fácil acesso, podemos escolher com nos relacionar. Mas nas entrelinhas, sabemos o quanto isso ainda é custoso e que a realidade pode ser bem diferente entre nós e outras.

Convido-te a olhar para si, mulher. A apreciar todas as tuas versões e a refletir sobre o teu trajeto até aqui. Pensa nas outras que vieram antes de você, em todas as gerações que contribuíram para você ser quem é hoje. Que você possa se orgulhar de quem tens te tornado e saiba apreciar a vista durante a viagem que é a vida.

8 Comentários

  1. Adorei prima!
    Seu artigo ficou maravilhoso, dentro da nossa realidade diante nossa sociedade. As mulheres precisam mostrsr seu potencial em todas às áreas e estar sempre onde ela quiser.
    Abraços e sucesso sempre!

  2. Muito emocionado li estai bela peça. Nele enxerguei traços profundos, semelhantes aos ensaios, crônicas, peças teatrais, escritos pelo seu Bisavô Fausto Lins. Tbem Advogado, Ator, Humorista, Cronista. Forte emoção tomou conta em ver a semelhança do ritmo, pre clareza, correção. Uma crônica, semelhante a uma free way, que não se consegue parar e ao final deixa saudade e satisfação de tê-la lido! Obrigado pela alegria e emoção que Vc me proporcionou. Com todas suspeitas e impedimentos, PARABÉNS! Papai

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